Um procedimento que pode ajudar muito, mas que precisa ser indicado na hora certa e para a pessoa certa.
Se você tem artrose no joelho, provavelmente já ouviu falar da infiltração de ácido hialurônico. Talvez um amigo tenha feito e ficado bem. Ou talvez você já tenha pesquisado e encontrado opiniões bem diferentes — alguns médicos indicando com entusiasmo, outros dizendo que não funciona. Essa confusão tem uma razão, e vale a pena entender o que a ciência realmente diz sobre esse procedimento.
O que é o ácido hialurônico e o que ele faz no joelho
O joelho saudável tem, dentro da articulação, um líquido chamado líquido sinovial. Esse líquido age como lubrificante e amortecedor — permite que os ossos se movam com suavidade, sem atrito excessivo. O ácido hialurônico é o principal componente desse líquido.
Na artrose, especialmente nos casos mais avançados, esse líquido perde qualidade: fica menos espesso, menos eficiente. A ideia da infiltração é repor essa substância diretamente na articulação, melhorando a lubrificação, reduzindo o atrito e, com isso, diminuindo a dor.
Quando o procedimento pode ajudar
A evidência científica aponta para um perfil bastante específico de paciente que tende a se beneficiar: aquele com artrose de grau leve a moderado, que ainda mantém uma quantidade razoável de cartilagem, e que não respondeu bem apenas com medicamentos e fisioterapia.
Nesses casos, a infiltração pode reduzir a dor de forma significativa, melhorar a mobilidade do joelho e adiar, ou até evitar, a necessidade de cirurgia. O efeito costuma durar de seis meses a um ano, e o procedimento pode ser repetido quando necessário.
O ácido hialurônico não regenera cartilagem. Ele lubrifica e protege o que ainda existe. Por isso, quanto mais cartilagem preservada, maior a chance de o procedimento funcionar bem.
Quando não vale a pena
Aqui está a parte que muita gente não ouve com clareza. Nos casos de artrose avançada, quando a cartilagem já foi muito destruída e os ossos estão praticamente se tocando, a infiltração de ácido hialurônico tem pouco efeito. Não há muito o que lubrificar quando a superfície articular já está comprometida de forma severa.
Estudos mais recentes, incluindo revisões de grande porte, mostram que, nesses casos, o benefício da infiltração pode ser mínimo ou equivalente ao placebo. Isso não significa que o procedimento é inútil, significa que ele precisa ser indicado para o paciente certo, na fase certa da doença.
Desconfie de promessas de que a infiltração vai 'curar' a artrose ou 'regenerar a cartilagem'. Esse efeito não existe. O que o procedimento pode oferecer é alívio da dor e melhora da função, o que, para muitos pacientes, já é muito significativo.
Como é feito o procedimento
A infiltração é realizada no consultório, sem necessidade de internação. Com o paciente deitado, o médico introduz uma agulha fina diretamente na articulação do joelho e injeta o ácido hialurônico. O procedimento dura poucos minutos e, na grande maioria dos casos, causa apenas um desconforto leve e passageiro.
Quando guiado por ultrassom, como é feito no consultório, a agulha é posicionada com precisão no local correto dentro da articulação, o que aumenta a segurança e a eficácia do procedimento.
O procedimento substitui a fisioterapia?
Não. A infiltração é uma ferramenta dentro de um plano de tratamento mais amplo. O exercício físico orientado e a fisioterapia continuam sendo fundamentais para fortalecer a musculatura ao redor do joelho, melhorar a estabilidade e reduzir a sobrecarga na articulação. O hialurônico alivia a dor; o exercício trata a causa do agravamento.
A combinação dos dois costuma trazer resultados melhores do que qualquer um deles isoladamente.
Tem artrose no joelho e quer saber se a infiltração é indicada para o seu caso?
A avaliação com o fisiatra ajuda a entender o grau da artrose, o que já foi tentado e qual o melhor caminho a seguir, com ou sem procedimento.
